Desgraça pouca é bobagem e, se o caboclo está nos infernos, é melhor abraçar o capeta.
Já "estibilou" no chão alguma vez? Deu de cara na porta, ela fechando? Hm?
Essas coisas são do além. E, vira e mexe, acontecem.
Pois aconteceu dele atender o paciente, dentista que é. Primeira consulta; tudo bem organizado. Passou da palavra à ação e, rapaz! Foi ver que dente doía. Mas, antes, era preciso botar o camarada na cadeira.
Cadeiras de dentista. Talvez desenvolvidas pelo crudelíssimo Torquemada. Em pessoa.
Inquisições. Esquisitices: inquisitices?
O certo é que lá estava a protovítima sobre a cadeira.
Ele? Mãos lavadas e enluvadas, pé no pedal para baixar o encosto.
Encosto... Foi encosto!
No caso, um estouro literal: um barulhão de ferros se quebrando, terremoto, tsunami, tudo junto e misturado. O encosto da cadeira desmontou com paciente e tudo!
Só se perceberam as pernas do infeliz cliente, voando pelos ares, as costas projetadas ao solo, feito golpe de judô. Ippon!
Ainda bem que não se machucou. Apenas uma camisa rasgada, que Deus é pai...
Xô, encosto!
Uma frase veloz? No creo en las brujas, pero que las hay, las hay...
Então pensou: bem, o encosto se foi!
...
Ah, estibilar. "Estibilar" é pleno mineirês: só se "estibila" no chão em Minas.

Olá João,
ResponderExcluirNunca vi uma associação tão perfeita, a cadeira de dentista e os horrores da inquisição...srsr...acho que você está certíssimo, deve ter sido mesmo Tomáz de Torquemada quem a inventou, em um daqueles dias que ele precisava torturar alguém de um jeito bem especial. Ops...nada contra os dentistas, só contra as cadeiras, viu?
Brincadeira à parte, seu conto tem a sua marca de excelência, o humor sarcástico, tomadas da história inseridas no contexto de forma magistral. Adorei!
Um abraço, amigo.
Celêdian